BLOG DA DISCIPLINA ELETIVA DO 6ºA e 7ºA - E.E. DR. WALDEMIRO NAFFAH - SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - 2020 - OBJETIVO: APRESENTAR TRABALHOS REALIZADOS PELOS ALUNOS DESTAS SÉRIES SOBRE AS LEITURAS FEITAS.
terça-feira, 22 de setembro de 2020
terça-feira, 15 de setembro de 2020
O CASO DO ESPELHO E COMO NASCERAM AS ESTRELAS
O Caso do Espelho
por Ricardo Azevedo
Era um homem que não sabia quase nada. Morava longe, numa casinha de sapé esquecida nos cafundós da mata. Um dia, precisando ir à cidade, passou em frente a uma loja e viu um espelho pendurado do lado de fora. O homem abriu a boca. Apertou os olhos. Depois gritou, com o espelho nas mãos:
― Mas o que é que o retrato de meu pai está fazendo aqui?
― Isso é um espelho - explicou o dono da loja.
― Não sei se é espelho ou se não é, só sei que é o retrato do meu pai.
Os olhos do homem ficaram molhados.
― O senhor... conheceu meu pai? - perguntou ele ao comerciante.
O dono da loja sorriu. Explicou de novo. Aquilo era só um espelho comum,
desses de vidro e moldura de madeira.
― É não! - respondeu o outro. - Isso é o retrato do meu pai. É ele sim!
Olha o rosto dele. Olha a testa. E o cabelo? E o nariz? E aquele sorriso meio
sem jeito?
O homem quis saber o preço. O comerciante sacudiu os ombros e vendeu o
espelho, baratinho. Naquele dia, o homem que não sabia quase nada entrou em
casa todo contente. Guardou, cuidadoso,
o espelho embrulhado na gaveta da penteadeira. A mulher ficou só olhando.
No outro dia, esperou o marido sair para trabalhar e correu para o
quarto. Abrindo a gaveta da penteadeira, desembrulhou o espelho, olhou e deu um
passo atrás. Fez o sinal da cruz tapando a boca com as mãos. Em seguida,
guardou o espelho na gaveta e saiu chorando.
― Ah, meu Deus! — gritava ela desnorteada. - É o retrato de outra
mulher! Meu marido não gosta mais de mim! A outra é linda demais! Que olhos
bonitos! Que cabeleira solta! Que pele macia! A diaba é mil vezes mais bonita e
mais moça do que eu!
― Quando o homem voltou, no fim do dia, achou a casa toda desarrumada. A
mulher, chorando sentada no chão, não tinha feito nem a comida.
― Que foi isso, mulher?
― Ah, seu traidor de uma figa! Quem é aquela jararaca lá no retrato?
― Que retrato? - perguntou o marido, surpreso.
― Aquele mesmo que você escondeu na gaveta da penteadeira!
O homem não estava entendendo nada.
― Mas aquilo é o retrato do meu pai!
Indignada, a mulher colocou as mãos no peito: - Cachorro sem-vergonha,
miserável! Pensa que eu não sei a diferença entre um velho lazarento e uma
jabiraca safada e horrorosa?
A discussão fervia feito água na chaleira.
― Velho lazarento coisa nenhuma! - gritou o homem, ofendido.
A mãe da moça morava perto, escutou a gritaria e veio ver o que estava
acontecendo. Encontrou a filha chorando feito criança que se perdeu e não
consegue mais voltar pra casa.
― Que é isso, menina?
― Aquele cafajeste arranjou outra!
― Ela ficou maluca - berrou o homem, de cara amarrada.
― Ontem eu vi ele escondendo um pacote na gaveta lá do quarto, mãe!
Hoje, depois que ele saiu, fui ver o que era. Tá lá! É o retrato de outra
mulher!
A boa senhora resolveu, ela mesma, verificar o tal retrato. Entrando no
quarto, abriu a gaveta, desembrulhou o pacote e espiou. Arregalou os olhos.
Olhou de novo. Soltou uma sonora gargalhada.
― Só se for o retrato da bisavó dele! A tal fulana é a coisa mais
enrugada, feia, velha, cacarenta, murcha, arruinada, desengonçada, capenga,
careca, caduca, torta e desdentada que eu já vi até hoje!
E completou, feliz, abraçando a filha:
― Fica tranquila. A bruaca do retrato já está com os dois pés na
cova!
COMO NASCERAM AS ESTRELAS
Clarice Lispector
Pois é,
todo mundo pensa que sempre houve no mundo estrelas pisca-pisca. Mas é erro.
Antes os índios olhavam de noite para o céu escuro — e bem escuro estava esse
céu. Um negror. Vou contar a história singela do nascimento das estrelas.
Era uma vez, no mês de janeiro, muitos índios. E ativos: caçavam,
pescavam, guerreavam. Mas nas tabas não faziam coisa alguma: deitavam-se nas
redes e dormiam roncando. E a comida? Só as mulheres cuidavam do preparo dela
para terem todos o que comer.
Uma vez elas notaram que faltava milho no cesto para moer. Que fizeram
as valentes mulheres? O seguinte: sem medo enfurnaram-se nas matas, sob um gostoso
sol amarelo. As árvores rebrilhavam verdes e embaixo delas havia sombra e água
fresca. Quando saíam de debaixo das copas encontravam o calor, bebiam no reino
das águas dos riachos buliçosos. Mas sempre procurando milho porque a fome era
daquelas que as faziam comer folhas de árvores. Mas só encontravam espigazinhas
murchas e sem graça.
— Vamos voltar e trazer conosco uns curumins. (Assim chamavam os índios
as crianças.) Curumim dá sorte.
E deu mesmo. Os
garotos pareciam adivinhar as coisas: foram retinho em frente e numa clareira
da floresta — eis um milharal viçoso crescendo alto. As índias maravilhadas
disseram: toca a colher tanta espiga. Mas os gatinhos também colheram muitas e fugiram
das mães voltando à taba e pedindo à avó que lhes fizesse um bolo de milho. A
avó assim fez e os
curumins
se encheram de bolo que logo se acabou. Só então tiveram medo das mães que
reclamariam por eles comerem tanto. Podiam esconder numa caverna a avó e o
papagaio porque os dois contariam tudo. Mas — e se as mães dessem falta da avó
e do papagaio tagarela? Aí então chamaram os colibris para que amarrassem um
cipó no topo do céu.
Quando as índias voltaram ficaram assustadas
vendo os filhos subindo pelo ar. Resolveram, essas mães nervosas, subir atrás dos
meninos e cortar o cipó embaixo deles.
Aconteceu uma coisa que só acontece
quando a gente acredita: as mães caíram no chão,
transformando-se
em onças. Quanto aos curumins, como já não podiam voltar para a terra, ficaram
no céu até hoje, transformados em gordas estrelas brilhantes.
Mas, quanto a mim, tenho a lhes dizer
que as estrelas são mais do que curumins. Estrelas são os olhos de Deus
vigiando para que corra tudo bem. Para sempre. E, como se sabe, “sempre” não
acaba nunca.
MITOS, LENDAS E CAUSOS
OS TEXTOS ESCOLHIDOS PARA ESTA ATIVIDADE ERAM TRÊS
A TAPEÇARIA DE ARACNE - ANA MARIA MACHADO
O CASO DO ESPELHO - RICARDO AZEVEDO
COMO NASCERAM AS ESTRELAS- CLARICE LISPECTOR
VAMOS AO PRIMEIRO:
A
TAPEÇARIA DE ARACNE
Ana Maria Machado
Há muito, muito tempo, na Grécia Antiga, contavam que Palas, a deusa da sabedoria (que mais tarde os romanos chamariam de Minerva), ensinava todos os segredos de fiação e tecelagem a uma moça chamada Aracne.
Aracne
era de origem humilde, mas se tornou tão habilidosa com fios e tramas que até
as ninfas dos bosques e dos rios vinham vê-la trabalhar. Não só porque os
tecidos que fazia eram incomparáveis, mas até porque a graça de seus movimentos
tinha a beleza de uma arte, desde que puxava os chumaços de lã ou cânhamo até
quando fazia novelos e meadas. E, principalmente, depois, quando a linha macia
e longa se convertia em belos panos num tear ou era ricamente bordada em
desenhos divinos. Divinos, sim. Pois todos os que viam o trabalho de Aracne
logo concluíam que ela aprendera seu ofício com Palas, e cobriam a deusa de
louvores.
Ora,
quanto mais atenção atraía, mais Aracne se ofendia com os elogios a Palas e
negava qualquer mérito à deusa. Até que certo dia acabou exclamando:
Sou
muito melhor tecelã que Palas! Se ela viesse competir comigo, todos iam ver
isso. E, se me vencesse, poderia fazer comigo o que quisesse.
Antes
de aceitar o desafio, a deusa se disfarçou e veio visitar Aracne sob a forma de
uma velha, aconselhando-a a respeitar a experiência e a sabedoria dos anciãos e
a reconhecer a superioridade dos deuses.
—
Se você se arrepender de suas palavras e pedir perdão, tenho certeza de que
Palas a perdoará — disse.
—
Você está é de miolo mole, sua velha. Quer dar conselho? Vá procurar suas
netas… Eu me defendo sozinha. Palas tem medo de mim. Se não tivesse, já teria
vindo me enterrar.
A
velha deixou cair o disfarce e se revelou em todo o seu esplendor:
—
Pois Palas veio, sua tonta!
As
ninfas e todas as mulheres se prostraram diante da deusa, mas Aracne manteve
seu desafio.
Sem
perder tempo, cada uma das duas foi para um canto do enorme salão, com seus
novelos, meadas, fios e seu tear.
Durante
muito tempo, uma belíssima tapeçaria foi surgindo em cada tear. Palas fez
questão de ilustrar em seu bordado todas as histórias de mortais que tinham
desafiado os deuses e os terríveis preços que tiveram de pagar por isso.
Aracne, por outro lado, mostrou em sua tapeçaria os inúmeros crimes que os
deuses já tinham cometido, recriados com exatidão e minúcia de detalhes. Cada
uma, ao final, rematou seu trabalho com uma preciosa moldura tecida.
Ninguém
se surpreendeu com a perfeição da obra de Palas. Mas quem ficou surpresa foi a
deusa, pois, por mais que procurasse o mínimo defeito na obra de Aracne, não
conseguiu encontrar uma única falha. Com raiva, bateu várias vezes com seu
bastão na testa da tecelã.
Não
suportando a dor, Aracne passou um fio no pescoço para se enforcar. Mas Palas
teve pena e a segurou, suspensa no ar, dizendo:
—
Você tem má índole e é vaidosa, mas tenho que respeitar sua arte. Não admito
que morra. Porém, você e seus descendentes viverão sempre assim, suspensos o
tempo todo.
E,
ao partir, borrifou-lhe uma poção que fez o cabelo da moça cair, a cabeça e o corpo
encolherem, os dedos crescerem, e a transformou para sempre numa aranha,
condenada a fabricar fio e teia até o final dos tempos. Sempre com perfeição
incomparável.
Fonte:
Revista
Nova Escola
terça-feira, 1 de setembro de 2020
FABRICANDO A TV DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Pessoal, estamos de volta!
Vamos para nossa próxima atividade!
A TV DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIA
Esta atividade oportunizou aos alunos uma forma de recontarem as histórias dos textos lidos para seus familiares, conhecidos e amigos... Em época de pandemia, este foi um trabalho que o aluno pode realizar em sua casa, muitas vezes com a ajuda dos pais ou irmãos...
Começaremos com fotos de alunos montando a TV e organizando os desenhos feitos a partir da história do texto escolhido...
Wansley - 6ª AA POESIA DA VIDA : LEITURA DE POEMAS
PARA ESTA ATIVIDADE, OS ALUNOS RECEBERAM ALGUNS LIVROS DE POESIA POR MEIO VIRTUAL. ELES DEVERIAM ESCOLHER UM E FAZER A LEITURA. DESTE LIVRO...
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A ESPADA - Luís Fernando Veríssimo A Espada Uma família de classe média alta. Pai, mulher, um filho de sete anos. É a noite do d...
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A Foto - Luís Fernando Veríssimo Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já que o bisavô estava morre não morre, deci...
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APÓS A LEITURA DO CONTO "O BIFE E A PIPOCA", A ATIVIDADE ERA EXPRESSAR, POR MEIO DE UM DESENHO, A PARTE MAIS MARCANTE DA HISTÓRIA...




