terça-feira, 30 de junho de 2020

CRÔNICA: FAZENDEIRO DO MATO GROSSO DO SUL - EDILSON RODRIGUES DA SILVA - RADIONOVELA DE GIOVANE E LARISSA - 7º ANO A




O FAZENDEIRO DO MATO GROSSO DO SUL


CRÔNICA: A FOTO - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - RADIONOVELA DE MARIA EDUARDA PAZ CARVALHO - 7º ANO A





A Foto - Luís Fernando Veríssimo

Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já que o bisavô estava morre não morre, decidiram tirar uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela última vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras, genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparramados pelo chão. Castelo, o dono da câmara, comandou a pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmara a quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia?
– Tira você mesmo, ué.
– Ah, é? E eu não saiu na foto?
O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro. O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotografia.
– Tiro eu – disse o marido da Bitinha.
– Você fica aqui – comandou a Bitinha.
Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido reagisse. “Não deixa eles te humilharem, Mário Cesar”, dizia sempre. O Mário Cesar ficou firme onde estava, do lado da mulher. A própria Bitinha fez a sugestão maldosa:
– Acho que quem deve tirar é o Dudu…
O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita, nunca claramente anunciada, de que não fosse o filho do Luiz Olavo. O Dudu se prontificou a tirar a fotografia, mas Andradina segurou o filho.
– Só faltava essa, o Dudu não sair.
E agora?
– Pô, Castelo. Você disse que essa câmara só faltava falar. E não tem nem timer!
O Castelo impávido. Tinham ciúmes dele. Porque ele tinha um Santana do ano. Porque comprara a câmara num duty free da Europa. Aliás, o apelido dele entre os outros era “Dutifri”, mas ele não sabia.
– Revezamento – sugeriu alguém – Cada genro bate uma foto em que ele não aparece, e…
A idéia foi sepultada em protestos. Tinha que ser toda a família reunida em volta da bisa. Foi quando o próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o Castelo e arrancou a câmara da sua mão.
– Dá aqui.
– Mas seu Domício…
– Vai pra lá e fica quieto.
– Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não tem sentido!
– Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho no visor.
E antes que houvesse mais protestos, acionou a câmara, tirou a foto e foi dormir.



CRÔNICA: PECHADA - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - RADIONOVELA DE VICTOR HUGO COSTA - 7º ANO A





PECHADA
Luís Fernando Veríssimo


O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de "Gaúcho". Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado. 


– Aí, Gaúcho! 

– Fala, Gaúcho! 

Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações? 

– Mas o Gaúcho fala "tu"! – disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato. 

– E fala certo - disse a professora. – Pode-se dizer "tu" e pode-se dizer "você". Os dois estão certos. Os dois são português. 

O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara. 

Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera. 

– O pai atravessou a sinaleira e pechou. 

– O que? 

– O pai. Atravessou a sinaleira e pechou. 

A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo. 

– O que foi que ele disse, tia? – quis saber o gordo Jorge. 

– Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou. 

– E o que é isso? 

– Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu. 

– Nós vinha... 

– Nós vínhamos. 

– Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto. 

A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito. 

"Sinaleira", obviamente, era sinal, semáforo. "Auto" era automóvel, carro. Mas "pechar" o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que "pechar" vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada. 

– Aí, Pechada! 

– Fala, Pechada!

CRÔNICA: O HOMEM TROCADO - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO - DUAS RADIONOVELAS - GIOVANA ALVES - 6º ANO A - LARA LAISE - 6ºANO A

A PARTIR DESTA POSTAGEM, VOCÊ OUVIRÁ ALGUMAS RADIONOVELAS FEITAS PELOS ALUNOS NA ATIVIDADE DE LEITURA DE CRÔNICAS... 

DIVIRTA-SE...






O homem trocado

O homem acorda da anestesia e olha em volta . Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
                ─Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo.
                ─Eu estava com medo desta operação...
                ─Por quê? Não havia risco nenhum.
                ─Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
                E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
                ─E o meu nome? Outro engano?
                ─Seu nome não é Lírio?
                ─Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
                Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera vestibular com sucesso  mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.               
                ─Há anos que a minha conta de telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive de pagar mais de R$ 300,00.
                ─O senhor não faz chamadas interurbanas?
                ─Eu não tenho telefone!
                Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
                ─Por quê?
                ─Ela me enganava.
                Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
                ─O senhor está desenganado.
                Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
                ─E se você diz que a operação foi bem...
                A enfermeira parou de sorrir.
                ─Apendicite? – perguntou, hesitante.
                ─É. A operação era para tirar o apêndice.
                ─Não era para trocar de sexo?


VERÍSSIMO, Luis Fernando. In: Comédias da Vida Privada.Porto Alegre: L&PM, 1996.

ConFABULAndo!

Nossa viagem começa com  algumas fábulas que lemos e os preparativos para a apresentação de um teatro de fantoches... 
A apresentação  não aconteceu por causa da pandemia, mas a leitura das fábulas  motivou a imaginação e criação de alguns fantoches pelos alunos...
Abaixo, uma fábula que foi adaptada para encenação.


O REFORMADOR DO MUNDO

                      Monteiro Lobato

Américo Pisca-Pisca tinha o hábito de pôr defeito em todas as coisas. O mundo para ele estaria errado e a natureza só fazia asneira.

- Asneira , Américo?

- Pois então?... Aqui mesmo, neste pomar, você tem a prova disso. Ali está uma jabuticabeira enorme sustentando frutas pequeninas, e lá adiante vejo uma colossal abóbora, presa ao caule de uma planta rasteira. Não era lógico que fosse justamente o contrário? Se as coisas tivessem de ser reorganizadas por mim, eu trocaria as bolas, passando as jabuticabeiras para a aboboreira e as abóboras para a jabuticabeira. Não tenho razão?

Assim discorrendo, Américo provou que tudo estava errado e só ele era capaz de dispor com inteligência o mundo.

Mas o melhor, concluiu, é não pensar nisto e tirar uma soneca à sombra destas árvores, não acha?

E Pisca-Pisca, piscando que não acabava mais, estirou-se de papo para cima à sombra da jabuticabeira.

Dormiu. Dormiu e sonhou. Sonhou com um mundo novo, reformado inteirinho pelas suas mãos. Uma beleza!

De repente, no melhor da festa, plaft! Uma jabuticaba cai do galho e lhe acerta em cheio o nariz.

Américo desperta de um pulo. Pisca-Pisca medita sobre o caso e reconhece, afinal, que o mundo não era tão mal feito assim. E segue para a casa refletindo:

- Que coisa!... Pois não é que se o mundo fosse arrumado por mim, a primeira vítima teria sido eu? Eu, Américo Pisca-Pisca, morto pela abóbora por mim posta no lugar da jabuticaba? Hum! Deixemo - nos de reformas. Fique tudo como está que está tudo muito bem.

E  Pisca-Pisca continuou a piscar pela vida à fora mas já sem a cisma de corrigir a natureza.


Alunos criando os fantoches









quinta-feira, 25 de junho de 2020

PEGUEM SEUS PASSAPORTES... A VIAGEM VAI COMEÇAR...


Oi, pessoal!

    Iniciamos aqui o nosso blog da disciplina Eletiva  PASSAPORTE PARA A DIVERSÃO, dos anos 6ºA e 7ºA, da Escola Estadual Dr. Waldemiro Naffah, de São José do Rio Preto, São Paulo. 
    Neste espaço, postaremos o produto final de algumas atividades realizadas a partir da leitura de fábulas, crônicas, histórias em quadrinhos, contos, romances, poemas... enfim textos dos mais variados gêneros.
    
Nossos objetivos são: 

→Entender a leitura como  momento de informação e formação, mas também como um momento de apreciação, prazer e lazer; 
→Ajudar a formar leitores experientes e críticos para desempenharem o papel de cidadãos em uma sociedade;
→Possibilitar o acesso aos  diversos tipos de leitura na escola;
→Possibilitar produções orais, escritas e em outras linguagens, como o teatro, o teatro de sombras, a radionovela, etc.           

A POESIA DA VIDA : LEITURA DE POEMAS

PARA ESTA ATIVIDADE, OS ALUNOS RECEBERAM ALGUNS LIVROS DE POESIA POR MEIO VIRTUAL.  ELES DEVERIAM ESCOLHER UM E FAZER A LEITURA. DESTE LIVRO...